Facção verbal: o rap na Rural não está omisso

Quinta-feira, 17h. Um pequeno grupo de alunos começa a se juntar ao redor da Praça da Alegria, localizada em frente ao Restaurante Universitário. Aos poucos, um grupo maior de estudantes da Universidade Rural começa a aparecer. Enquanto uns ajudam a montar uma tenda para os protegerem da chuva, outros preparam a caixa de som e chamam os colegas para compor a roda. O objetivo do Núcleo Cultura de Rua é através da música, propiciar um espaço de arte, resistência e entretenimento para interligar a comunidade de Seropédica com a UFRRJ.

Mais do que levar o rap e o som das batidas pela Universidade, a Roda de Rap quer que a academia entenda que o desprezado som do grave tem muito a ensinar, mas principalmente por que não cansa de aprender.

Homem, mulher, criança, aluno, morador, quem passa, quem vive, quem constrói. O Rap da rural se faz por quem chega, por quem soma, ensina e aprende. Cada um com uma singularidade, suas ideias, valores e crenças criando um coletivo, um espaço de aprendizado.

Rap é compromisso

Promovido pelo coletivo Núcleo de Rua, a roda, batizada hoje como Facção Verbal começou pela vontade de alguns estudantes de criar um espaço onde o rap pudesse promover a poesia e romper divisões políticas e partidárias, contrapondo um discurso que visa criar um espaço para receber pessoas da região.

“A ideia da roda é quebrar o discurso da academia de que precisamos levar a cultura. A cultura não precisa ser levada, a galera faz.”, comenta o estudante de Belas Artes e um dos fundadores da roda, Docão, como é conhecido.

Indo para sua 10ª edição, a iniciativa começou pequena. Uma roda tímida que começou em frente ao Restaurante Universitário chamada de “Encontro de MCs”. Aos poucos o espaço atraiu mais gente, que hoje ajuda na promoção da roda e também com a estrutura que conta com iluminação e caixa de som.

Agora, o grupo luta para se tornar oficialmente um espaço de extensão universitária dentro da Rural. “Eu olho e imagino tudo isso um dia como uma aula obrigatória ou optativa algum dia. Conhecer os ritmos como o rap e o funk que falam sobre o que vivem.”, disse o aluno.

Docão explica também que qualquer um pode chegar e participar da roda. “Como diz no refrão da roda, Rap é compromisso. Qualquer um pode chegar para somar, mas precisa se comprometer e ajudar com as nossas intervenções.”

Mulheres no rap

“Lugar de mulher é onde ela quiser!”. O grito de passagem entre as rappers femininas ganha cada vez mais espaço no mundo do rap. O movimento feminista está crescendo e lutando em busca do empoderamento. O rap é um ótimo lugar para dar voz ao sentimento de impotência que muitas mulheres passam dentro dos espaços em que vivem.

O rap é uma forma de expressão e nele, muitas mulheres estão conquistando reconhecimento em um cenário tipicamente masculino. Negras, loiras, orientais, elas tomam conta do movimento, desde o início, e organizam-se não apenas em raps bem escritos e cantados, mas em frentes nacionais de luta e combate contra o preconceito e a violência.

No cenário brasileiro, rappers como Karol de Souza, Cris SNJ, Yazalu, Odisseia das flores, Preta Rara, D’Origem entre outras representam as mulheres cantando letras fortes, quebrando a barreira do machismo, racismo e todo tipo de opressão e repressão vividas por elas nos mais diversos ambientes e situações.

No movimento do rap feminino, as mulheres negras expõem sentimentos pelas lutas que elas passam em seu cotidiano. A estudante Érica Santos explica o que a leva a fazer parte do movimento:

“Eu sou mulher preta, sabe? E a gente tem o rap como uma forma de expressão das pessoas que estão ali sofrendo, que estão ali na periferia. É a nossa forma de se expressar, é a nossa cultura, a cultura de rua”.

“As minas da Rural não tão omissa, se liga na conquista”


Conexão com a comunidade

Além de propiciar integração entre os alunos da universidade, a Facção Verbal, promove também um espaço para que moradores da cidade de Seropédica e região participem do movimento. Os espaços de cultura dentro da universidade são limitados e a roda atraiu quem quer “falar da cena” na região.

Chistian Twing é MC profissionalmente e morador de Seropédica, e já participava de movimento de cultura de rua no município, desde 2011, em outras rodas e o Rap começou a fazer parte da sua vida quando participou de um projeto chamado Terapia do Freestyle em uma das escolas da cidade.

“O rap é cultura de rua. Conheci sobre o rap no projeto do colégio, mas fazer rap sem sair para a rua não é a mesma coisa. Frequentava sempre a Universidade Rural por morar aqui em Seropédica. Aqui na Rural já existia um movimento do Hip Hop, conhecia muita gente do graffiti e do breakdance. Queria que as pessoas tivessem mais interesse em conhecer o movimento porque quando você começa a praticar, começa a ver a rua de forma diferente.“, conta.

Para Chris, também é um diferencial a roda não ter palco e nem microfone: “Aqui somos todos tratados igualmente e qualquer um pode puxar o refrão (auge da roda onde todos cantam juntos). Não há uma superioridade e nem uma hierarquia, todos se sentem muito à vontade em participar e fazer as rimas. Todos tem uma função e se sentem pertencentes


Para conhecer mais sobre o Núcleo Cultura de Rua, acesse a página do Facebook.

Movimento Hip Hop

O movimento Hip Hop é um movimento musical que surgiu nas áreas centrais da cidade de Nova Iorque. Quatro pilares movem essa cultura até hoje: o DJling, breakdance, o graffiti e o rap.

O rap (abreviatura de rhythm and poetry ou ritmo e poesia em inglês) é parte de uma técnica vocal para acompanhar loops dos DJs. No Brasil, o ritmo surgiu em 1986, na cidade de São Paulo. Nessa época, o rap não era bem visto pela sociedade tanto por ser considerado um estilo musical que fazia apologia ao crime, violência, quanto por vir tipicamente da periferia.

Na década de 1990, por conta de vir das favelas e ser predominantemente negro, o estilo foi rejeitado por anos pelo grande público, especialmente em seu início. O rap começa a ser mais reconhecido como estilo de música nos anos 1990, com a explosão do nome mais bem-sucedido do movimento no Brasil, os Racionais MCs. O grupo serviu de grande influência para nomes que viriam nos anos seguintes, se tornando referência no universo do rap. O que é até hoje.

Nos dias de hoje o rap está incorporado no cenário musical brasileiro. Venceu os preconceitos e saiu da periferia para ganhar o grande público. Dezenas de cds de rap são lançados anualmente, porém o rap não perdeu sua essência de denunciar as injustiças, vividas pela pobreza das periferias das grandes cidades.

 

Além de propiciar integração entre os alunos da universidade, a Facção Verbal, promove também um espaço para que moradores da cidade de Seropédica e região participem do movimento. Os espaços de cultura dentro da universidade são limitados e a roda atraiu quem quer “falar da cena” na região.

Chistian Twing é MC profissionalmente e morador de Seropédica, e já participava de movimento de cultura de rua no município, desde 2011, em outras rodas e o Rap começou a fazer parte da sua vida quando participou de um projeto chamado Terapia do Freestyle em uma das escolas da cidade.

“O rap é cultura de rua. Conheci sobre o rap no projeto do colégio, mas fazer rap sem sair para a rua não é a mesma coisa. Frequentava sempre a Universidade Rural por morar aqui em Seropédica. Aqui na Rural já existia um movimento do Hip Hop, conhecia muita gente do graffiti e do breakdance. Queria que as pessoas tivessem mais interesse em conhecer o movimento porque quando você começa a praticar, começa a ver a rua de forma diferente.“, conta.

Para Chris, também é um diferencial a roda não ter palco e nem microfone: “Aqui somos todos tratados igualmente e qualquer um pode puxar o refrão (auge da roda onde todos cantam juntos). Não há uma superioridade e nem uma hierarquia, todos se sentem muito à vontade em participar e fazer as rimas. Todos tem uma função e se sentem pertencentesPara conhecer mais sobre o Núcleo Cultura de Rua, acesse a página do Facebook 

 

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